Diversidade de Gênero na Matemática
No dia 12 de maio é comemorado o dia internacional das mulheres na matemática, em homenagem à iraniana Maryam Mirzakhani, a primeira mulher a receber uma Medalha Fields na história. Durante sua vida, Maryam fez diversas contribuições para a matemática, tendo uma trajetória extraordinária de pesquisas e reconhecimento em seu próprio país, inspirando dive…
O mini artigo “Diversidade de gênero na matemática” apresenta a reflexão sobre a predominância dos homens na área das exatas, discutindo sobre a importância e visibilidade de outros gêneros. Em maio, mês das mulheres na matemática, Maryam Mirzakhani é reconhecida por realizar pesquisas sobre geodésicas, sendo a primeira mulher a ganhar uma medalha Fields, o prêmio de maior prestígio que pesquisadores desta área podem ganhar. Além disso, Erikah Pinto Souza também é citada, representando as pessoas trans que fazem matemática, relatando sobre suas dificuldades. Assim, ao reconhecer que há uma diversidade de pessoas nesta área, abre-se uma esperança de inclusão e na existência de um mundo mais justo e equitativo.
A cor da flor
Nesta crônica, somos convidados a enxergar o mundo pelos olhos de uma pessoa que vivencia questões de gênero e sexualidade em um contexto escolar… enquanto docente. Em um tom informal, quase pessoal, o autor aborda o enlace dos recortes identitários com a vivência de classe, conversando com o leitor sobre as relações interpessoais de estudantes com seus “Prôs”, dentro e fora de sala de aula.
Leia a crônica e deixe sua opinião ou relato associado!
O protagonismo feminino no desenvolvimento da Matemática no Brasil (MACHADO, S. R. A., 2023)
Machado trata neste artigo da colaboração de algumas mulheres para a Matemática e para a História da Matemática no Brasil. Além de citá-las, a autora cita aspectos histórico-biográficos que corroboram para a pouca participação feminina na área.
No decorrer da escrita, Suélen cita nomes que se destacaram em áreas diversificadas da Matemática e seus feitos. No texto, afirma: “Elza Gomide, Maria Laura Lopes e Maria Aparecida Soares Ruas foram primordiais para criação de sociedades importantes para a área da Matemática, como a Sociedade de Matemática de São Paulo, a Sociedade Brasileira de Educação Matemática e a Sociedade Brasileira de Matemática”.
Fez citação também a Martha Maria de Souza Dantas, mulher brasileira formada em bacharelado e licenciatura em Matemática que se indignava com a precariedade da educação matemática nas universidades. Em particular, foi a responsável por organizar o I Congresso Nacional de Ensino da Matemática no Curso Secundário.
Além de todas essas mulheres, Machado ainda cita outras em seu artigo, enfatiza suas participações e colaborações em associações matemáticas e trata de suas formações e trajetórias acadêmicas.
Resumo de Gabriel Eduardo Vicente dos Santos.
Recortes de Gênero no ensino de Matemática
O trabalho feminino é invisibilizado. Infelizmente, em qualquer meio profissional, é inegável a disparidade quando traçamos o recorte de gênero. Estereótipos datados, associando a figura feminina a um papel doméstico, de cuidado familiar, já não são mais tão comuns. A superação da estrutura patriarcal teve vários avanços, mas, apesar disso, a desigualdade de gênero ainda é intensa na área da educação.
Resolução do Problema da Edição #001
Para resolver este problema, podemos facilmente usar as propriedades de soma e divisão de frações, porém levaria algum tempo. Note que, neste caso, é possível encontrar um termo geral de acordo com a posição de cada fração, para depois calcular a soma.
Vamos primeiro olhar para os denominadores:
Veja que os números 1, 3, 7, 15, 31 e 63 são da forma 2n - 1, com n = 1, 2, 3, 4, 5, 6.
Seja an o n-ésimo termo da soma, então:
Assim, o termo geral dessa soma é:
Por fim, agora que achamos o termo geral, podemos efetuar a soma de maneira otimizada:
É possível identificar também que este somatório apresenta a soma de PG de razão 1/2:
Logo, 63/64 é a solução deste problema.
Além dos tópicos necessários para a resolução [“elegante”, sic] do problema, uma possibilidade que salta aos olhos é discutir a convergência da sequência, conforme a demonstração (“prova sem palavras”):
Problema da Edição
Esta questão faz referência a tabuleiros retangulares (de medida variável de acordo com o item, mas sempre em centímetros) e moedas que assumimos ter sempre 1 centímetro de diâmetro. Se desejar, vale a pena simular o problema com material concreto.
a) É possível colocar 20 moedas em um tabuleiro retangular com medida 5 x 4? Mostre como e justifique.
b) É possível colocar 41 moedas em um retângulo de
5 x 8? Mostre e justifique.
c) Use o item b) para mostrar que em um tabuleiro medindo 5 × 8n é possível colocar 41 · n moedas.
Fonte: OMU 2023. Segunda fase, nível Beta.
A resolução comentada será apresentada na próxima edição. Você pode enviar sua resolução ou sugestões de problema através de nosso e-mail: lem@unicamp.br
Estrelas Além do Tempo
Você já esteve em uma situação em que seu trabalho foi dificilmente reconhecido, por maior que fosse o esforço? É isso que acontece no filme “Estrelas Além do Tempo”, dirigido por Theodore Melfi e lançado em 2016. Ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2017, o filme conta a história de três mulheres negras no pe- ríodo da Guerra Fria durante a corrida espacial: Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), que sofreram diversos preconceitos por serem mulheres e negras em seus empregos na NASA.
Vem aí o primeiro EduMat!
O Encontro Mackenzie de Educadores de Matemática (EduMat) nasce com o propósito de oferecer um espaço de troca de experiências, aprendizado e reflexão, fortalecendo uma rede de educadores que compartilha o desafio de tornar o ensino de Matemática mais vivo, criativo e socialmente relevante. Várias serão as oportunidades de entretenimento, desde palestras e oficinas até uma mesa-redonda. É um dia que carrega consigo a promessa de novas perspectivas e conexões significativas para a prática docente.
O evento, que acontecerá no campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem data marcada para o dia 07 de junho, começando às 8h e terminando às 16h. Na organização, é claro, o Laboratório de Matemática Mackenzie, com o apoio da Casio Educação, CAEM-USP, EMAP-FGV, FTD Educação e OBMEP.
Matemática Normalizadora: estudos de gênero e educação matemática (GUSE, H. B. e DETONI, H. R.)
O artigo produzido por Hygor Batista Guse e Hugo dos Reis Detoni trata de um assunto que não parece, à primeira vista, relacionado com a educação matemática: os estigmas que a matéria leva consigo. O fato de ainda existirem perspectivas antiquadas, como a de que “exatas” é uma área masculina, ou as ideias comuns que são normalizadas, como a de que garotos que se dão bem com matemática são “naturalmente hábeis” e as garotas por conta de seu “trabalho duro”, mostram como a matéria ainda carrega consigo preconceitos sociais que devem ser combatidos, e é sobre isso que trata o artigo.
Analisando uma pesquisa feita em um curso de extensão relacionado ao assunto, os autores chegam a diversas conclusões a respeito de sexualidade nas escolas, práticas pedagógicas AntiLGBTfóbicas, Anti-sexistas, Antimachistas, e muitos outros temas relacionados a vivências sociais que podem ser pertinentes a educação matemática. A visão de que as exatas são um campo neutro pode levar a esquecer que ensinar trabalha, inevitavelmente, com um lado social e assim, também é preciso tomar cuidado para não passar pra frente costumes errados. O artigo menciona que o “normal” é algo mutável, a cada geração que passa as coisas que antes eram comuns, tornam-se antiquadas, até erradas, e como profissionais da educação, a adaptação e o estudo se mostra necessário sempre.
No geral, o artigo é extremamente importante por trazer uma perspectiva a respeito do gênero na educação matemática que muitas vezes é esquecido ou simplesmente desconhecido. Nele há também métodos de como trabalhar os estigmas desta matéria e relatos da experiência de outros professores, o que traz sentimentos de empatia pois mostram casos comumente vividos por alguns e nos fazem visualizar a importância de mudar alguns costumes.
Resumo de Bruno Wolff Sergio
Faça-você-mesmo: “Whole”, o jogo de cartas para ensino de soma de frações
“Whole” é um jogo de cartas da coleção “Matemática é para todos”, de Tulio Koneçny, cuja principal intenção é estimular alunos com dificuldade em realizar a soma de frações. Ele funciona de uma maneira muito intuitiva: todas as cartas possuem o desenho de um frasco de poção e uma fração que representa o quanto o frasco está cheio. Para ganhar, é necessário juntar as poções até que a soma das frações correspondentes seja igual a um inteiro.
Texto de Enzo Banci Catarin
Ecobrinquedoteca
Criatividade, Educação e muita Diversão! A Ecobrinquedoteca junta tudo isso de forma sustentável e consciente. Trazendo brinquedos feitos de materiais que seriam descartados e atividades que juntam o lúdico à educação ecológica, criando seus próprios brinquedos e se divertindo com os oferecidos, a Ecobrinquedoteca desenvolve uma nova perspectiva nas pessoas que participam. Um espaço acolhedor que proporciona muito entretenimento para todas as idades, desde conteúdo para uma tarde que você passaria com tédio em casa, até uma forma de manter a criançada ativa e entretida no final de semana.
Acompanhe o projeto, eventos e cursos na página deles no Instagram.
Charge da Edição
Chargista da Edição: NOBRE, 2025.
The Sphere Packing Problem in Dimension 8 (VIAZOVSKA, M)
O artigo de Maryna Viazovska, intitulado "The Sphere Packing Problem in Dimension 8", publicado em 2016, apresenta uma solução inovadora para o problema do empacotamento de esferas em oito dimensões. Em reconhecimento à sua contribuição extraordinária, Maryna Viazovska recebeu a Medalha Fields em 2022, tornando-se a segunda mulher a receber esse prestigiado prêmio na história.
Sueli Costa na Pesquisa da Teoria de Códigos
Sueli Irene Rodrigues Costa é professora titular do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp (IMECC) e pesquisadora na área de teoria de códigos. Seu trabalho está diretamente relacionado aos códigos sobre grafos e reticulados, códigos esféricos, códigos corretores de erros, geometria da informação e reticulados em criptografia. Uma das poucas mulheres professoras do instituto, Sueli leva consigo uma bagagem de estudos enriquecedora, proporcionando um vasto aprendizado para o Brasil e outras partes do mundo.
Tirinha da Edição
Quadrinista da Edição: NOBRE, 2025.
EDITORIAL: um mês que foi meio
Maio não foi um mês. Foi meio. Ao menos essa foi a percepção que tivemos na produção do jornal. Com um feriado que brecou uma das reuniões e uma semana conturbada em que três quartos da equipe tinha três provas, O Ubiratan foi colocado em cheque.
A proposta de trabalho para o mês era de produzir duas edições: esta, em suas mãos, e a seguinte. Queremos construir as edições ao redor de um tema direcionador, uma questão central que achamos necessário trazer à tona. Em maio, motivados pelo Dia [Mundial] da Mulher na Matemática, decidimos abordar questões de gênero e sexualidade nos meios acadêmicos e escolares. Decidimos, no entanto, que os temas não serão necessariamente explicitados, então cabe a você, que nos lê, conectar os pontinhos e entender qual a linha que une os blocos do jornal. E se descobrir, manda uma mensagem para a gente!
Mas, além de decidir que teremos temas direcionadores, nós já planejamos quais serão os temas das próximas edições. Assim, estamos um passo adiante na otimização do processo produtivo deste periódico. Mas nem tudo são flores.
Como brevemente introduzido no primeiro parágrafo, maio foi um mês intenso, de forma que não conseguimos manter um ritmo cadenciado de produção. Assim, caiu sobre nós (em particular sobre o editor-chefe) uma decisão difícil: manter o prazo ou estendê-lo? O prazo, premeditado, fora calendarizado conjuntamente para todas as edições de 2025. A premissa é manter as publicações nos primeiros dias de cada mês, de acordo com as peculiariedades do calendário acadêmico e alinhado às datas de eventos importantes para a comunidade de educação matemática. Em maio, por exemplo, nossa intenção era publicar a edição na semana anterior ao EduMat, pensando que seria uma oportunidade para divulgarmos o projeto a pessoas que se encaixam exatamente no perfil que buscamos atingir.
Dessa forma, foi necessário repensar a estratégia: deixamos um pouco de lado a edição 3 para focar na de junho (algo como vender a janta para comprar o almoço, sic). Também distribuímos funções específicas, de forma que cada editor foi atrelado a dois ou três tipos de bloco, podendo focar em um estilo de escrita e homogeneizando a quantidade de blocos. Indo direto ao ponto: se todos resolvessem escrever apenas crônicas, teríamos dificuldade em fechar as edições, assim como se ninguém ficasse responsável por quadrinhos, o jornal perderia parte importante de sua composição.
E, no fim de tudo... se você está lendo isso, é sinal de que deu certo! Acredito fortemente que, além de um material de divulgação matemática, que agrega valor e fornece formação complementar e continuada para a comunidade docente, O Ubiratan é um projeto que permite a nós [editores, professores em formação] desenvolver habilidades importantes. E há beleza e propósito pedagógico nisso também!
No fim, trabalhamos para que o projeto tenha uma editoração cada vez mais leve, para que as coisas não precisem ser resolvidas com uma madrugada, um litro e meio de energético e música alta. Mas, em meses que são meio meses, a gente vai como dá! Afinal, como disse um professor meu: “universidade é sala sem quina”, dá pra esbarrar que não machuca!
Referências Bibliográficas da Edição
1. MARCOS, M. A história de Maryam Mirzakhani, primeira mulher a ganhar o prêmio mais prestigiado de matemática do mundo. Estudar Fora. Disponível em: https://www.estudarfora.org.br/maryam-mirzakhani-matematica.
2. SOUZA, E. P.; DA CONCEIÇÃO ESQUINCALHA, A. Transexualidade, travestilidade e Educação Matemática: Perspectivas e possibilidades. In: III Encontro Nacional de Educação Matemática Inclusiva, 2023. Anais [...]. Disponível em: https://www.sbembrasil.org.br/ocs/index.php/ENEMI/
enemi2023/paper/viewFile/2345/1856.
3. MATEMATIQUEER. Sobre o grupo. Disponível em: https://sites.google.com/im.ufrj.br/matematiqueer/sobre.
4. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. INSTITUTO DE MATEMÁTICA, ESTATÍSTICA E COMPUTAÇÃO CIENTÍFICA. Entrevista – Sueli R. Costa. 05 jun. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k5t_hgc5qMI.
5. GUSE, H. B.; DETONI, H. R. Uma (Educação) Matemática normalizadora: Análise de fóruns de um curso de extensão sobre estudos de gênero e Educação Matemática. Educação Matemática Pesquisa, São Paulo, v. 26, e63186, 2024. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/emp/article/view/63186.
6. MACHADO, S. R. A. O protagonismo feminino no desenvolvimento da Matemática no Brasil. Revista de Cultura e Extensão em Educação Matemática, n. 3, p. 1-12, 2022. Disponível em: https://www.sbembrasil.org.br/
periodicos/index.php/rceem/article/download/3725/2518/12864.
7. CNN BRASIL. Brasil tem 1,8 milhão de professores na rede pública; 78,8% são mulheres. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brasil-
tem-18-milhao-de-professores-na-rede-publica-788-sao-mulheres/.
8. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Mulheres representam 59% das matrículas na educação superior. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/institucional/mulheres-representam-59-das-matriculas-na-educacao-superior.
9. INSTITUTO DE MATEMÁTICA PURA E APLICADA (IMPA). Mulheres são minoria entre reitores e bolsas de pesquisa. Disponível em: https://impa.br/
notices/mulheres-sao-minoria-entre-reitores-e-bolsas-de-pesquisa.
10. MENTALIDADES MATEMÁTICAS. 5 mulheres que fizeram história na Matemática. Disponível em: https://mentalidadesmatematicas.org.br/
5-mulheres-que-fizeram-historia-na-matematica/.
Agradecemos por nos acompanhar!
O Ubiratan é uma iniciativa independente do Laboratório de Ensino de Matemática da Universidade Estadual de Campinas. Sua produção é feita inteiramente por estudantes de graduação e orientada pelo professor doutor Giuliano A. Zugliani.
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