Antes de se tornar popularmente conhecida, a sequência de Fibonacci já havia sido estudada pelo matemático indiano Pingala no livro Chandaḥśāstra, por volta de 450 a.C. Apesar de ter sido descoberta nessa época, a fórmula e o conceito eram diferentes do que conhecemos hoje. Além disso, os gregos, por volta de 200 a.C, possuíam conhecimento da proporção áurea, mas sem saber sua possível relação com a sequência.
O famoso Número de Ouro, também chamado de proporção áurea, é considerado um padrão de harmonia visual agradável aos olhos humanos. Um exemplo disso é a obra Monalisa de Leonardo da Vinci, que segue essa proporção dada por
A sequência de Fibonacci que conhecemos hoje foi desenvolvida pelo matemático italiano Leonardo Fibonacci no século XII, sendo demonstrada matematicamente no livro Liber Abaci de Fibonacci (1202). Inicialmente, surgiu a partir de um problema populacional ao tentar contar a quantidade de casal de coelhos ideais (não realista), seguindo as regras abaixo.
No primeiro mês, temos um casal de coelhos recém-nascidos (um macho e uma fêmea).
Eles levam exatamente um mês para crescer e atingir a maturidade sexual.
A partir do segundo mês, já adultos, esse casal gera um novo casal de filhotes todo mês.
Por serem coelhos teóricos e ideais, não possuem problemas genéticos e são considerados imortais.
O ciclo se repete com os novos casais.
Para resolver esse problema foi necessário criar uma fórmula matemática que contasse os casais, surgindo então a sequência: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21…. também escrita pela fórmula de recorrência:
Existem algumas variações da fórmula acima que permitem o cálculo fechado sem depender de termos anteriores, como a fórmula de Binet, que faz o uso da proporção áurea:
Ou sua versão expandida com binômio de Newton:
A sequência de Fibonacci possui uma propriedade interessante que mostra sua relação com o Número de Ouro: quando pegamos um termo qualquer da sequência e o dividimos pelo seu antecessor obtemos um valor que se aproxima de φ. Nesse sentido, se aplicarmos limite tendendo ao infinito podemos escrever que
Podemos também visualizar essa relação a partir da geometria analítica. Se utilizarmos os números da sequência como coordenadas de pontos consecutivos, como (1, 1), (1, 2), (2, 3), (3, 5), (5, 8), (8, 13)..., podemos calcular o coeficiente angular m do segmento de reta que une dois desses pontos.
Assim, à medida que avançamos na sequência, observamos que m tende cada vez mais ao valor de φ ≈ 1,61803…
Já a matriz de Fibonacci, é uma matriz quadrada de ordem 2×2, cujos elementos são 1, 1, 1 e 0, e possui uma propriedade em comum com sua sequência. Toda vez que a elevamos a um expoente n (com n sendo a posição de um número na sequência), geramos uma parte da sequência e descobrimos qual é esse número
Por exemplo, ao pegarmos a matriz inicial e elevarmos a n = 4 descobrimos que o quarto termo da sequência de Fibonacci é igual a 3 e geramos o trecho (..., 2, 3, 5…).
Além disso, podemos analisar a matriz de Fibonacci no contexto da Álgebra Linear. Ao estudarmos seu comportamento quando multiplicada por um vetor não nulo v, buscaremos os valores de um escalar α que satisfaçam a equação de autovalores e autovetores:
Para possuir uma solução em que o vetor v seja não nulo, observe que o determinante da matriz resultante deve ser igual a zero. Assim, calculando o determinante, obtemos a seguinte equação característica:
Cujas soluções são:
Isso gera dois autovalores distintos: α ≈ 1,618, correspondendo exatamente ao Número de Ouro (φ ), e α ≈ -0,618. Como estamos analisando o crescimento positivo da sequência de Fibonacci, olharemos apenas o autovalor positivo dominante, concluindo que α = φ.
Esse resultado indica que cada termo tende a ser o anterior multiplicado pela proporção áurea conforme o crescimento da sequência. Por exemplo, ao multiplicarmos 5 por φ, obtemos aproximadamente 8,09, um valor bem próximo do termo seguinte da sequência, mostrando uma boa precisão.
Dessa forma, a matriz de Fibonacci evidencia que o comportamento da sequência vai muito além da aritmética básica, conectando-se profundamente com conceitos de Álgebra Linear, como autovalores e autovetores.
Referências:
1. BITZ,J. The Fibonacci Matrix. Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RPbAqlrVp5Y.
2. POSSANI,C. Matriz e sequência de Fibonacci. Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gxVT-LsM2mg&t=62s.
3. SANTOS, A. A.; ALVES, F. R. V. A fórmula de Binet como modelo de generalização e extensão da sequência de Fibonacci a outros conceitos matemáticos. C.Q.D. - Revista Eletrônica Paulista de Matemática, v. 9, 2017. Disponível em: https://www.fc.unesp.br/Home/Departamentos/Matematica/revistacqd2228/v09a01-a-formula-de-binet-como-modelo.pdf.








Acho tudo isso incrível, mas eu dei conta de entender ate a procriação dos férteis coelhos.
Eu já estudei a Sequência de Fibonacci (SF), mas desconhecia essa representação matricial.
Gosto particularmente da aplicação da SF no estudo da filotaxia. Principalmente no arranjo das sementes do girassol em relação ao ângulo áureo.